SONHO II
Era uma noite sem estrelas, peregrino penetrou na escuridão da noite, e afastou-se da multidão.
Estava cansado de viver a dois; ele e a solidão, por esse motivo precisava ligar, escrever, e muito rever a sua amada.
Sua imagem, seu sorriso branco e o perfume não saiu mais de sua mente.
Envolvido completamente por ilusões e fantasias, ela tinha qualquer coisa que lhe fazia lembrar a primavera.
Nessa visão ela estava linda usando um vestido branco tecido de renda fina.
Calçava sandália de couro prata e parecia ter magia em sua meiga voz.
Caminhava lentamente, em passos vigorosos pela areia da praia, no qual parecia embaraçar-se relutando contra a escuridão que subia dentro dele.
Ao chegar à porta de sua residência, as grades de ferro de proteção fizeram um ruído áspero, quando foram abertas.
Limpou as lentes de seus óculos, na esperança de ainda encontrá-la sozinha.
Fez uma leve reverência agradecendo ao criador pela cortesia que o inesperado momento os resguardava.
O cão de guarda ainda era o mesmo, um pastor alemão que dera alguns latidos ao notar sua presença.
Latiu e ao farejar-lhe, aceitou sua voz de comando peregrino passou a mão na cabeça do fiel amigo que parecia o ter reconhecido.
Peregrino fez uns cálculos das possibilidades de escapar caso sua amada que há muito não via, estivesse se entrelaçado.
O luar tênue e frio cortava a escuridão adormecida do lugar. Seu rosto tinha uma mistura de curiosidade e medo, de não mais o aceitar e dividir seu calor, amor e amizade.
Enfim, peregrino sorriu ao vê-la pela janela do quarto e ao ir em seu encontro, sua fisionomia sustentava fé, determinação, coragem e esperança.
Tina continuava sendo a mesma menina, seu corpo estava coberto com a mesma camisola cor de rosa, surrada pelo tempo tecido de renda fina, tecido este que peregrino lhe dera de presente nos últimos cinco invernos passados quando se despediu ao ir embora.
Queria sentir naquele momento, toda sua sensualidade no mais simples contato físico.
Seus olhos tinham um brilho diferente, e irradiavam muita energia podendo ver o reflexo de sua alma transbordando alegria.
Ao abrir a porta de vidro, suas mãos tateavam na maçaneta de bronze e quando ela se aproximou ficando a alguns metros de distância ele ficou quase que paralisado, ela estava ainda mais bonita.
Seu corpo e fisionomia, desenhava as formas e a escultura de uma grande mulher. Eram as formas mais perfeitas de uma mulher jamais vista.
Peregrino embriagado pela sua sedução e doçura, entregou-se e passando seus braços em sua cintura, Tina perguntou num tom de voz rouca e expressiva se ele realmente a amava.
Ele respondeu dizendo, que quando saiu para pegar o caminho mais curto para os seus principais objetivos e interesses pessoais, profissionais e sociais, desconhecia a palavra amor.
Hoje ele aprendeu o principal significado da existência da vida, e da palavra amor.
Aprendeu que devemos amar a respeitar e a compreender uns aos outros, dizendo que as mais dura experiências da vida e da hierarquia militar, religiosa e profissional o formaram um homem de verdade, consciente e cumpridor dos seus deveres. Tina por fim, entendera que peregrino já havia aprendido a lição com longo dos anos.
Peregrino percebeu que uma lágrima brotou de seus olhos e ao carregá-la no colo para o leito de prazer estando ainda envolvido sob clima de forte emoção e paixão ele disse que tudo nessa vida passa menos o meu amor por você, porque você é alguém que se tornou tudo para mim, alguém que eu gosto de ter sempre ao meu lado, que me aceitou do jeito que eu sou, enfim, você é a pessoa que eu amo.

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